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julho 2, 2010 / danielcintra

O carrosel da bola – Justiça seja feita

Como muitos mundo afora eu também cresci acreditando que poderia me tornar um jogador de futebol.

Carioca e morador do bairro de Vila Isabel, ainda carrego na lembrança o orgulho de ter jogado no antigo campo do América, que hoje deu lugar a um shopping na zona norte do Rio de Janeiro.

Vascaíno então, senti o prazer de torcer pelo meu time nos anos 90.

Torcedor moderado que era (rs), não perdia uma oportunidade de zoar meus amigos que torciam pelos times adversários do Vasco, e que não tiveram (tantos) bons anos nessa década.

Essa época de ouro do meu time certamente contribuiu bastante para influenciar minha infância e adolescência, fortalecendo ainda mais meu vínculo com o futebol.

Mas então veio a virada do século e as coisas começaram, literalmente, a virar de ponta a cabeça.

Tanto para o time do meu coração quanto para a percepção que tinha do futebol profissional.

Da mesma forma que senti a felicidade de ver o Vasco campeão diversas vezes ao longo dos anos, agora tenho que sofrer as amarguras de vê-lo a beira do abismo por situações seguidas, completamente “sem rumo e sem prumo”, tomando atitudes que visam ainda corrigir efeitos antigos, mas nunca a causa deles.

No entanto, tenho que confessar que com o passar dos anos não fui um bom torcedor vascaíno. Mesmo em 2000, quando o Vasco conquistou seu último título importante, já demonstrava que meu interesse pelo futebol profissional diminuia, a medida em que os salários dos jogadores aumentavam. Lembro que no dia que o Vasco foi campeão estava assistindo a um show do Rock in Rio, e mesmo tendo ficado feliz com a notícia do campeonato, a emoção já não era mais a mesma de 97 e 98.

Mas quem poderia imaginar o que viria nos anos vindouros?

E assim, diante de frustrações seguidas de frustrações, o time começou a se despedaçar, tanto em campo, quanto nos bastidores, culminando, no fim de 2008, no episódio mais triste para a nação vascaína, o rebaixamento para segunda divisão.

Até aí tudo natural se considerarmos que o futebol propocia justamente isso. Um dia (ou uma temporada) o time vai bem, e na outra, outros times vão. Esse é o ritmo que marca a ascensão e queda dos clubes pelo Brasil e pelo mundo, razão do futebol ser tão interessante, ou uma “caixinha de surpresa” como preferem dizer alguns.

E quando esse episódio ocorreu não foi tão impactante como teria sido se tivesse acontecido alguns anos antes. Penso que já tinha um entendimento (ainda que não estruturado) que o Vasco teria que pagar pelos erros e excessos cometidos no passado.

Portanto, as consequências kármicas dos anos dourados da equipe cruzmaltina vieram com a virada do século, e os grandes excessos do time campeão da década de 90 (cometidos em sua grande maioria por aquele que não merece ser mencionado nesse artigo) começaram então a ser pagos.

Mas mesmo assim não deixou de ser triste.

Talvez, o pior nem tenha passado, pois agora o Vasco encara a ameaça de ser (re)rebaixado para segunda divisão novamente.

Diante de tantos problemas é até compreensível que parte da própria torcida vascaína deixe de acreditar no time, ficando conformada com toda situação.

No entanto, por mais que seja compreensível, não é o certo. Isso não pode acontecer com o time que carrega a cruz no peito.

Pensando em ajudar meu time, elaborei um projeto que apelidei inicialmente de Projeto Ubunto.

Ele seria uma estratégia online que, se bem feita, daria a chance do Vasco ser o pioneiro de uma nova visão do futebol profissional.

Como imaginava que o time não teria dinheiro para investir em contratações de jogadores, desenvolvi o projeto com a intenção de fortalecer os bens mais preciosos que um clube pode ter, a sua base e a sua torcida.

Dei o nome de Projeto Ubuntu (uma homenagem à mãe África), pois coloca clube e torcida unidos, participando do mesmo processo através da Internet (minha área por formação). Mas como não quero estender demais esse artigo escrevi sobre ele nesse post aqui.

Entretanto, mais uma vez me deparei com medidas de curto prazo no futebol. Medidas essas que me pareciam uma repetição do mesmo filme, ou um “deja vu” futebolístico.

Nesse recesso da copa do mundo li as notícias das contratações vascaínas que finalizaram (acho eu) com a contratação do ex-ídolo vascaíno, flamenguista e tricolor, Felipe.

Mas antes que comece a falar queria deixar claro que não tenho nada contra o jogador e até gosto do estilo de futebol que ele joga, quando não está de chinelinho….

O que tenho contra é ele ser recebido de helicóptero, com tapete vermelho, ganhando um salário que mesmo colocando por baixo ainda estaria alto para a realidade do clube, enquanto nós já sabemos a muito tempo que investimento real é feito na base, pois é lá que o clube encontra o seu valor.

Aqui no post, ele só exemplifica um problema que muitos outros (pela quantidade) expõem.

Um carrousel que gira, gira e não sai do lugar.

Essa é a minha visão do futebol profissional moderno.

E foi então que resolvi que, mesmo querendo que esse projeto começasse a ser desenvolvido pelo meu clube do coração, não iria perder tempo tentando colocar na cabeça de (dinossáuricos) dirigentes, vascaínos ou não, essa ideia.

Que o Roberto Dinamite não me leve a mal, eu o considero o maior jogador que o clube já teve, e continuo achando que ele pegou o Vasco numa situação insustentável. Mas algumas ações de sua diretoria (principalmente em relação à técnicos) me fizeram relembrar um passado (negro) não tão distante assim. Uma época que o Vasco tinha um dono, que colocava seus amigos para trabalhar no clube.

Mas também sei que esse problema não se restringe ao Vasco. Inúmeros clubes pelo mundo sofrem desse coquetel mortífero que envolve má administração, ganância de muitos que vivem nesse meio (inclusive jogadores), e políticas de curto prazo, que visam apenas uma temporada, mas que colocam o clube endividado para várias.

E é justamente por isso que espero que todos os clubes (do Brasil e do Mundo) possam se aproveitar desse meu projeto para tornar o futebol um esporte com mais dignidade.

Eu chamo de justiça divina o que vem acontecendo com o Vasco nos últimos anos. Mas da mesma forma, também é justo que o clube portador da cruz possa recuperar seu prestígio com um projeto visionário que poderia ser extendido a todos os outros clubes do mundo.

Basta acreditar!

Frustações após frustações e o time começou a se despedaçar, tanto em campo quanto nos bastidores culminando, no fim de 2008, no episódio mais triste para a nação vascaína, o rebaixamento para segunda divisão.

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